Dia dos Pais: Uma história emocionante de um pai que luta para trazer dignidade e segurança para a sua família

Hoje é o segundo domingo de agosto e, portanto, comemora-se o Dia dos Pais. Se você tem o seu pai ao seu lado, com saúde, uma família unida, comida para pôr a mesa, pode se considerar uma pessoa especial e realmente tem motivos para comemorar essa data. 

Mas frente a dura realidade do País, onde políticos corruptos degradam a nossa sociedade, criando verdadeiras escolas para marginais, tirando vida ao não dar condições mínimas de saúde em atendimentos em postos e hospitais, deixando de investir em educação, saneamento básico, moradias, educação sexual, entre tantas outras carências e deficiências do sistema nacional como um todo, não temos muito o que comemorar. 

Você já parou para pensar quantos filhos não poderão hoje comemorar essas datas? Filhos cujos:

Pais que os abandonaram mesmo antes que tivessem nascido ...
Pais que nunca conheceram por algum motivo ...
Pais que tiveram que mudar de cidade em busca de trabalho e nunca mais voltaram ...
Pais que foram assassinados ...
Pais que foram mortos, vítimas da sociedade ...
Pais que são omissos ...
Pais que os maltratam ...
Pais que saem cedo, enquanto os filhos ainda dorme, e voltam tarde, quando os filhos já estão dormindo, porque tem dois ou mais empregos pois buscam uma forma honesta de sustentar a casa...

Familia é familia. Pessoas são pessoas. Nunca compare a sua com a do vizinho. Não existe familia melhor ou pior (a não ser aquelas que agem com violência e maltratam os filhos, negligenciando na educação e cuidados). Pode faltar comida, que se dá um jeito - os amigos ajudam - pode faltar trabalho que a procura continua, mas o amor não falta! Se por um lado o dinheiro não compra a felicidade, precisamos dele para comprar comida. E sabe o que é mais triste? Muitos filhos, mesmo sem ter o que comer, ainda vão sentir falta de não ter um presente para dar ao pai, aquela figura de super herói, o protetor! Isso porque as mídias, seja a eletrônica ou impressa, conota a data um vínculo totalmente comercial. E como ficam as cabecinhas dessas crianças, que muitas vezes sem ter o que vestir, gostariam de dar algo aos pais? Sociedade hipócrita, de valores distorcidos!

Mas deixemos de lado o pessimismo. Hoje, nesse dia tão especial, quero compartilhar uma história de luta, de conquistas, onde a vida não é perfeita, onde existem preocupações, onde a luta é constante, mas o amor, a batalha ... ah, essa nunca termina! Essa é a história de Edvaldo, pai de Rute (9 anos) e de Ismael (10 anos), entrevistado pela ONG Visão Mundial, pela qual a familia é atendida via programas. Uma história para pais e filhos se inspirarem!


Pai de Rute, 9, e do Ismael, 10, Edvaldo Mendes, 56, batalha todos os dias para cuidar e oferecer o melhor para os filhos. Morador da Guabiraba, bairro localizado na Zona Norte do Recife e catador de latinhas de alumínio, ele acredita que ser pai é ter zelo e prestar atenção no que os filhos estão fazendo para que não se envolvam com nada de errado. "Eu faço tudo o que posso pelos meus filhos, mesmo enfrentando muitas dificuldades diariamente. Sou gari de profissão, trabalhei muito tempo com carteira assinada em uma empresa, mas estou desempregado há quase um ano. Minha esposa, a Elizete, também não tem emprego e eu sustento a casa sozinho fazendo "bico" como catador de latinhas de alumínio", conta.

Mendes nunca frequentou a escola, pois não gostava de estudar e também não tinha incentivo da família. O primeiro contato dele com a leitura foi aos 32 anos. Mesmo sabendo ler algumas palavras atualmente, Edvaldo ainda não sabe escrever. "Não tive apoio de pai, pois minha mãe me criou com meu irmão sozinha, mas não tinha sabedoria para orientar e não sabia como a escola é importante para a criança", conta. Ele recorda do momento em que aprendeu a ler e comenta sobre o fato de ainda não saber escrever. "Comecei a ler sozinho, foi um milagre eu conseguir juntar as letras e ler uma palavra inteira, fiquei muito alegre. Porém, até hoje eu não sei escrever tudo, apenas meu nome. Nunca consegui escrever nem o nome dos meus filhos, mas de leitura eu sou bom e sei ler até jornal", afirma.

Por conta da falta de acesso à educação, Edvaldo perdeu muitas oportunidades de trabalho. "Por ser analfabeto, eu não conseguia pegar ônibus porque não sabia pra onde ele estava indo. Morria de vergonha de pedir ajuda às pessoas na rua, parecia que tinha um peso nas minhas costas de tanta vergonha que ficava", conta. Mesmo com um contexto difícil, ele não desiste de batalhar pela educação dos filhos. "É nos meus filhos que penso quando vou pra rua todos os dias catar latinha. Não quero que eles passem pelas coisas ruins que já passei", afirma.

Os dois filhos de Edvaldo estudam em uma escola pública, pois a família não tem condições de pagar colégio particular. As crianças participam dos projetos da ONG Visão Mundial, organização não governamental humanitária especializada na proteção à infância, em Recife. "Agradeço pelos filhos que tenho, porque são crianças tranquilas e carinhosas comigo. Também sou muito agradecido pela Visão Mundial por me ajudar a cuidar das minhas crianças; eles recebem reforço da escola e estudam música nas aulas de rabeca. Ficam protegidos fora das ruas e não se juntam com quem não presta. Eles estão sendo bem preparados para o futuro", afirma. E continua: "Meu sonho é que meus filhos estudem e sejam alguém na vida. Esse é o principal conselho que digo a eles porque são a maior bênção que eu e a minha mulher temos, elas são um presente de Deus pra nós".

A Visão Mundial realiza um trabalho de ouvidoria com a família das crianças e adolescentes atendidos. A ONG dá todo suporte, junto com a Rede de Proteção à Criança e do Adolescentes, uma série de organizações do Governo e da sociedade civil, para os pais que precisam de atendimentos médicos, entre outros serviços.

O contexto na Zona Norte do Recife, onde a Visão Mundial atua, é de extrema vulnerabilidade social com altos índices de violência. Normalmente, o cuidado dos filhos fica com a responsabilidade das mães, pois muitos pais não têm a consciência que precisam ajudar não apenas no suporte financeiro, mas também na relação afetiva. "A presença do pai na comunidade é muito distante, poucos pais têm a disponibilidade e esforço que o Edvaldo tem, pois ele participa das atividades, reuniões e se preocupa com o desenvolvimento dos filhos", afirma David Chargas, coordenador da sede dos projetos da Visão Mundial em Recife.

Em Recife, a Visão Mundial atende mais de 1.000 crianças e adolescentes com projetos na área de educação em parceria com escolas públicas por meio do Conexão Escola, metodologia de prevenção à violência e fortalecimento psicossocial-emocional e cognitivo da criança. Durante a semana, a ONG recebe cerca de 70 crianças na sede dos projetos, localizada na comunidade de Guabiraba, e oferece aulas de música com rabeca e violão, além de oficinas para estimular práticas de leitura e escrita das crianças e adolescentes. 

Sempre há uma mão estendida, um ombro amigo. Nunca desista. Não tenha vergonha, busque ajuda no lugar certo e conte com pessoas honestas. Nunca arrisque "cortando caminhos", pois os caminhos mais curtos são sempre os mais perigosos. Costumo dizer que tudo tem o seu tempo, assim como tudo tem o seu preço. Seja honesto, digno e siga em frente, carregando no seu bolso os seus valores, que valem mais que o seu dinheiro. Procure ajuda em um ONG na sua cidade, procure por programas, por cursos de alfabetização ou de reciclagem ou de aprendizado industrial. Não se começa de cima, se começa de baixo. Mas nunca se esqueça, você é o exemplo para o seu filho, e que exemplo você quer dar a eles?

Lute, seja feliz na sua jornada e seja um bom pai. Pai feliz, pai amado tem todo o respeito e o amor dos filhos a cada segundo, minuto, hora do dia e não necessariamente no segundo domingo de agosto.

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