Meu filho entrou na adolescência, e agora?

Quando me casei resolvi curtir ao máximo a vida a dois. Foram três anos de um relacionamento íntimo repleto de passeios, viagens, jantares. Sabíamos que um filho é um compromisso para uma vida toda e  que cada fase requer um cuidado e um acompanhamento específico. Ou seja, filho é sinônimo de cuidados e preocupação para uma vida toda.

Hoje as minhas meninas tem quatro e dois anos. São fases boas porque ainda as "controlamos", por assim dizer. Elas vão onde vamos e fazem aquilo que pedimos - na rebeldia da idade delas. Mas, como tenho muitas mamães amigas que possuem filhos na pré-adolescência e outras já na adolescência, confesso que ouvir seus relatos às vezes me deixa aterroriza e temendo pelo que me aguarda no futuro próximo porque a infância passa tão rápido ...

Dias desses li um artigo muito interessante com trechos escritos pelo psicólogo e pesquisador Ricardo Monezi, que é especialista em medicina do comportamento da Universidade Federal de São Paulo (Uniesp). Resolvi compartilhar alguns informações e trechos que julguei super importantes para pais e vivem momentos de angústias e não sabem como lidar com a fase da adolescência, que cedo ou tarde, acaba chegando.  Mas começo com uma verdade que impera em todos os casos: você não está sozinha! Tenha calma que essa é mais uma fase e que tudo vai passar.

O que podemos notar é que ao longo dos anos a adolescência vem chegando de forma precoce. Na minha época falávamos em garotos com treze ou catorze anos. Hoje, as meninas, que normalmente amadurecem mais rápido e começam a se achar mais adultas do que realmente são, começam a falar em meninos e em namoro com apenas onze ou doze anos. Isso acontece porque a imagem que elas têm de si mesmas é modificava, a maneira como veem o mundo e como se relacionam com as pessoas também sofre com as transformações ao seu redor. A minha recomendação é que você deixe a sua menina viver a infância na plenitude. Não a adultize de forma prematura com roupas que não são para a sua idade, ou o uso exagerado de maquiagens. Lembre-se, tudo tem a sua fase.

Já nos meninos as mudanças são mais fisiológicas que emocionais. Por isso falamos que eles amadurecem mais tarde que as meninas. Aliás, elas mesmo dizem que eles são infantis e quando começam a procurar um "namoradinho" normalmente se interessam por meninos mais velhos. Mesmo assim os meninos procuram por mais espaço e por brincadeiras mais adultas. 

E o que se passa na cabeça dos pais? Ah um turbilhão de coisas e de emoções eu imagino! A menininha tão dócil se torna arredia e agora só ficar sozinha em seu próprio quarto - fazendo sabe-se lá o que. O menino, antes tão brincalhão e que amava jogar bola com os amigos, prefere ficar no computador, com os fones de ouvido para não ser incomodado. Ah, sem falar no celular né? Amigos virtuais que os pais nem imaginam quem são. Bate um medo, uma insegurança e até um desespero. Nessa fase vem a transformação. É mais ou menos como se a lagarta estivesse se preparando para transformar-se em uma borboleta! 

Garotos rebeldes, filhas contestadoras e ambos distantes da familia sempre tão unida. E quem é que disse que ver um filho crescer não dói na alma? Mas calma! Pense que essa é mais uma fase e que tudo não passa de um processo de amadurecimento. Basta entender o que de fato é esse período cheio de transformações e aprender a lidar com as principais questões. Lembre-se que o adolescente precisa receber um olhar multidimensional e que você, como responsável, não deve descuidar da atenção. Mantenha-se alerta sempre! Pouco tempo atras surgiu o tal jogo baleia azul que tirou a vida de muitos adolescente e deixou muitos pais preocupados. Cuidado vale para filhos de qualquer idade.

Mas então vem a dúvida e a pergunta que não quer calar: Como lidar com esse turbilhão de emoções? E os novos vocabulários? O "Ah... Fala Sério..." deve estar no topo da lista não é? Compartilho alguns dicas que espero que possam te ajudar, ou ao menos te orientar em alfuns pontos, para que essa fase tão delicada não se transforme em rebeldia e motivo de brigas e discussões em família.


Como devo agir com meu filho, que não me dá abertura para uma conversa?
Para o psicólogo Ricardo Monezi, é preciso enxerga seu filho com compaixão "lembre-se da sua adolescência e de tudo o que passou. Não foi fácil, não é mesmo? É um momento de muita insegurança, insatisfação, angústia ... Coloque-se no lugar do seu filho, entenda o que ele está passando e ofereça ajuda". aconselha. Quem é mãe de adolescente sabe que eles encaram essas conversas como sendo chatas, por isso ao invés de chamá-lo para reclamar dos pontos a melhorar como as notas ruins, ou o quarto bagunçado, comece falando sobre os interesses em comum ou ressaltando as qualidades que ele possui. Tente lembrar de alguma experiência pela qual passou em sua adolescência e compartilhe com ele. Hoje vivemos ainda a época do bullying. Muitos adolescentes se tornam rebeldes e agressivos por não saberem como lidar com a situação e tem receio de levar o assunto para casa. Por isso, conseguir manter um canal aberto de diálogo é sempre uma alternativa que deve ser valorizada.

Como devo colocar limites no meu filho adolescente?
Se colocar limites em uma criança de dois e outra de quatro anos já me parece bem complicado, fico imaginando como colocar limites em um adolescente que se sente adulto e dono da verdade. Mas sim, todos nós precisamos de limites e por isso pratique essa regra desde muito cedo. Se você não o fizer desde que o seu filho nascer, o mundo mostrará o limite a ele e, com toda certeza, isso será muito mais doloroso - e muitas vezes desastroso. Dar limites é um gesto de amor e faz parte do processo de educação. Por isso não tenha receio ou medo de dizer NÃO! Mas calma, tente primeiro um diálogo, escute a opinião do seu filho para que ele se sinta valorizado e ouvido, e se for possível cheguem juntos a um consenso. Não há problema algum em ceder um pouco dependendo da situação.

Meu filho começou a namorar, como falar de sexo com ele?
Sexo, um tabu de gerações. Ainda bem que muita coisa mudou e nós evoluímos nesse ponto. Hoje os pais estão mais abertos para falar do assunto, o que é muito bom. Aliás, a abordagem sobre o assunto é algo que já tem de vir da infância. Mas prestem atenção: falar sobre o assunto sexo não significa estimular a sexualidade precoce ou aumentar o risco de gravidez ok? Significa proteger o seu filho com informações precisas, abrindo um canal de conversa com pessoas nas quais ele confia, para esclarecimento e participação na sua vida. Para começar uma conversa ou um debate, use um filme que assistiram juntos ou uma cena de novela por exemplo. Você dá a sua opinião, ouve a dele e assim juntos estabelecem um canal de diálogo.

Meu filho só sabe me contestar. Como devo lidar com isso?
Agora pense em você. Você gosta de ser contestado? Não! Nenhum ser humano gosta. Isso não é bom. Pense o qual difícil é olhar para a outra pessoa e pensar que ela talvez possa estar certa, dentro da perspectiva dela. Mas ela também pode estar errada. Conhece o tal da sua verdade e a minha verdade? Qual das duas vale? Qual é a verdade verdadeira? Mais uma vez a dica é estabelecer o canal do diálogo onde você possa mostrar a sua verdade e ouvir a verdade do seu filho. Opiniões favoráveis e desfavoráveis poderão - e serão - ditas até que se chegue em um consenso comum. Os dois lados precisam estar abertos e um ouvir o outro. Não seja autoritário, tentando impor a sua verdade, mesmo sabendo que a sua experiência vale muito. Seu filho está passando por um processo de transformação e só vai se dar conta disso lá na frente.

Quando e como falar sobre seco e consumo de álcool e drogas?
Outro ponto delicado na adolescência. Segundo especialistas, o melhor momento para se falar sobre esses assuntos vai depender sempre do quanto o adolescente se mostra interessado e curioso em relação a essas questões. E isso vai depender, claro, da fase de desenvolvimento em que ele se encontra, da bagagem que tem e da sua história de vida (principalmente dos exemplos que vê em casa). Quanto mais fortes e construídos estiverem os vínculos afetivos, maior será a facilidade e tranquilidade que você terá para lidar com os temas, e mais seguro vai se sentir seu filho para lhe fazer as perguntas e tirar suas dúvidas.

Tente manter o seu filho do seu lado, como se fosse seu amigo, mas lembre-se que ele não é um amigo. Ele é seu filho e que educá-lo e orientá-lo é um obrigação sua!

Texto escrito com base na matéria "Ah ... Fala Sério ..." Revista Nestle com Você, Março 2011 - Ano 13 - Nr. 49.
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