Pontos no cartão de crédito podem ser alternativa para aumentar o orçamento


Em tempos de crise, equilibrar as contas e fazer o dinheiro render até o final do mês tem sido um desafio constante do brasileiro – e isso não ocorre somente em consequência do aumento do desemprego, de acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) a renda do trabalhador caiu significativamente: no primeiro trimestre deste ano ficou, em média, 4,2% menor em comparação com o mesmo período de 2015. Em vista disso, mais pessoas têm cortado gastos e recorrido ao famoso cartão de crédito na hora de pagar suas compras e suavizar o orçamento.

Números da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) apontam que no último ano houve um crescimento de 6,2% nas transações realizadas com cartões de crédito, chegando a impressionante cifra de R$ 648 bilhões. O método de pagamento atrai não somente pela possibilidade de parcelamento, boa parte dessas compras é revertida, de certa forma, em vantagens ao consumidor. Essa equação também resulta num maior acúmulo de pontos dos programas de recompensa das operadoras de crédito.

Popularizados pelas companhias aéreas com a concessão de descontos em passagens aéreas, atualmente a fidelização representa muito mais do que a oportunidade de reduzir os custos de viagem. De olho nesse mercado, novas parcerias e métodos de resgate ampliam os benefícios ao consumidor e configuram, até mesmo, chances de conseguir um dinheiro extra com a pontuação dos programas. Porém, é preciso ficar atento: nem todas as operações são vantajosas e seguras.
Diversificação dos serviços aumenta pontuação.

O mercado de fidelização segue forte graças a diversificação dos serviços: se antes, participar de um programa de recompensas atingia apenas os interessados em economizar na hora de viajar, agora a realidade é outra: já é possível acumular pontos e obter vantagens em postos de gasolina, seguradora, farmácias, e muitos outros estabelecimentos que estão presentes no dia-a-dia dos consumidores. Se a oferta está diversificada, cresce também o acúmulo de pontos - indicadores da Abecs apontam que somente no primeiro semestre deste ano, a quantia transferida para os participantes deste tipo de programa ultrapassa R$ 1,5 bilhões – um aumento de mais de 23% em relação com o último semestre de 2015.

Porém, o setor que mais contribuiu para a popularização desses programas tem amargado os efeitos da crise: como os brasileiros estão viajando menos e a conversão desses pontos em milhas áreas já não é tão expressiva quanto em anos anteriores, as companhias se veem obrigadas a reduzir a oferta de assentos: somente em janeiro deste ano, período de alta temporada, a queda na procura foi de 4% de acordo com dados do setor. Ainda que seja uma estratégia para reduzir o orçamento, o consumidor deve ficar atento, pois este cenário configura um maior acúmulo de pontos sem o resgate efetivo.


Alternativas para o uso dos pontos
Tendência na internet, o mercado de negociação de milhas envolve desde as próprias companhias aéreas que, através de parcerias, dão ao cliente a possibilidade de trocar seus pontos por produtos ou serviços de empresas conveniadas, a aquisição de novas milhas para complementar a pontuação existente; até a compra e venda de milhas por terceiros ou empresas especializadas. Cada vez mais em evidência, essa modalidade cresce em decorrência do mercado bilionário em ascensão no país – um relatório do Banco Central de 2010 demonstrou que, somente naquele ano, os brasileiros deixaram de resgatar 101,3 bilhões em pontos – o equivalente à pouco mais de 17% da pontuação total gerada naquele ano. Controverso, o serviço seria mais uma alternativa para que o fidelizado possa lucrar em situações nas quais os resgates oferecidos pelo programa não sejam tão atrativos ou quando a pontuação prestes a expirar.

A proposta do negócio é, em tese, bastante simples: em geral, o fidelizado com pontos acumulados nos principais programas de recompensa entra em contato com a empresa negociadora que analisa e valida as informações, estimando o valor do saldo. Com este orçamento, o cliente decide se deseja efetuar a venda e, após sua autorização, recebe o pagamento equivalente em dinheiro.

Para o diretor da Cash Milhas, empresa de negociação de milhas aéreas, Francisco Lobo; ainda que o método desperte certa desconfiança por parte do mercado, é uma alternativa válida e segura para que o consumidor obtenha lucro “Muitas pessoas não sabem, mas quando o cliente deixa de fazer o resgate e o seus pontos expiram, ele gera lucro à companhia na qual é fidelizado, logo não é apenas um benefício oferecido gratuitamente ao cliente – este mercado envolve contratos de repasses milionários entre as empresas conveniadas. Para o consumidor, é um meio de evitar perdas, especialmente quando ele tem um saldo significativo a expirar, mas não tem o desejo ou a oportunidade de viajar naquele momento. Nesses casos, é extremamente interessante negociar essa pontuação, sendo até mesmo, em muitos casos, mais vantajoso do que o tradicional resgate oferecido pelo programa. ”

Lobo explica que nesse mercado cada empresa possui sua política quanto ao saldo mínimo para negociação. O valor estipulado varia conforme fatores do mercado, porém, no geral, os valores pagos pelas especializadas são mais atrativos do que o estimado pelos programas de recompensa das companhias.

Vender milhas é ilegal?
Recentemente, a popularização deste mercado gerou discussão quanto à sua legalidade e até mesmo projetos de lei foram levantados afim de questionar a legalidade do mercado de moedas virtuais no país, incluindo a negociação de milhas. Em audiência pública promovida pela Comissão de Direitos do Consumidor, realizada em setembro de 2015, o projeto de Lei 2.303/15, de autoria do deputado Aureo (SD-RJ) levantou questões a respeito da legalidade do serviço no país e formas de regulamentar efetivamente essa operação, evidenciando a necessidade de normativas. Sua última movimentação, em julho deste ano previa a instituição de uma Comissão Especial para dar continuidade à proposta, porém, sem novidades desde então.

Sendo assim, até o momento, a legislação brasileira não prevê nenhuma lei específica que proíba a negociação de milhas ou que normatize a atividade, logo, vender ou comprar milhas não é uma prática ilegal. Contudo, os contratos firmados entre as companhias aéreas possuem regras específicas que visam coibir a ação deliberada de seus associados, penalizando e responsabilizando-os por determinadas práticas. Ainda assim, no geral, o próprio programa de recompensa possibilita que o fidelizado efetue resgates em favor de familiares e terceiros, prática que ampara o método de negociação de milhas: uma vez que o cliente autoriza a venda e o pagamento é efetuado, a empresa especializada acessa a área deste cliente e detém os pontos, podendo fazer resgates com a pontuação negociada.

Portanto, enquanto regras claras não são definidas afim fiscalizar a atividade, é extremamente importante que o consumidor interessado neste tipo de negociação tenha cautela na hora da venda “Para ter certeza que a empresa é idônea, é primordial que o consumir faça uma pesquisa a respeito do seu histórico e reputação, afinal, ele terá que passar dados pessoais e estará, de certa forma, exposto” – explica. Contudo, Lobo tranquiliza o consumidor e explica que que este tipo de negócio oferece mais risco à empresa que ao cliente “Em empresas sérias, existem políticas de segurança que visam garantir a confidencialidade e privacidade dos dados do cliente. Além disso o resgate só é feito após o pagamento ser efetivado, logo trabalhamos com base na confiança, pois, da mesma forma, corremos risco de descumprimento por parte do cliente. ”

Fique atento
Como fazer então para escapar das fraudes? Como a maioria dessas empresas atua na internet, é essencial pesquisar páginas de defesa do consumidor e entrar em contato com clientes que já tenham realizado o negócio para verificar se a experiência foi positiva ou negativa. Os fidelizados devem sempre agir com cautela quanto à entrega de dados a terceiros e ler, minuciosamente, o contrato de venda – a falta de atenção permite a ação de estelionatários que se aproveitam das brechas no sistema para efetuar golpes. Se o consumidor identificar qualquer ação ilegal e sentir-se lesado, é possível recorrer aos mecanismos de defesa do consumidor e aos órgãos competentes.

Fonte: Cash Milhas
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